Páscoa e o consumo sustentável do pescado
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Autoras: Mariana Silvestre de Oliveira Donatilio, Raphaela A. Duarte Silveira e Raphaela Alt Müller

Peixes armazenados. Fonte: Adam Jones/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0).
Para as pessoas que seguem o catolicismo, cerca de 50% da população brasileira, durante a Quaresma (período de 40 dias que antecede a Páscoa) é realizada a penitência e o jejum de carne bovina e de frango, sendo praticado o alto consumo da carne de peixe.
Apesar de ser um hábito comum, há um grande mercado que não possui as devidas inspeções e o manejo adequado da carne para ser oferecido para o consumo. Isso não afeta apenas a saúde da população, devido às doenças transmitidas por alimentos (DTA), mas também a biodiversidade marinha por conta da pesca ilegal, afetando as espécies locais.
IMPACTO DA SOBREPESCA NA BIODIVERSIDADE MARINHA
A sobrepesca é a captura de grande número de peixes do mar, sem deixar indivíduos adultos suficientes para repopulação do cardume, afetando a biodiversidade local. A pesca ilegal ou insustentável não afeta apenas a espécie-alvo da captura, mas também todas aquelas que convivem no mesmo ambiente, causando impactos negativos ao oceano.
Em épocas comemorativas, como a Páscoa, esse tipo de pesca tende a aumentar nas regiões costeiras, afetando a reprodução, o controle e o desenvolvimento de diversas espécies marinhas. Ao capturar a espécie-alvo para o consumo, pode ser realizada a pesca acidental de diversas outras, como a tartaruga marinha, os golfinhos e os tubarões, ocasionando a perda de indivíduos que afetam significativamente a fauna marinha.
Os recifes de corais também são altamente afetados pela sobrepesca, acarretando uma diminuição de alimentos para as espécies de equinodermos (estrela-do-mar, ouriços-do-mar e pepino-do-mar) e de alguns peixes. Sendo assim, é visível o impacto da pesca desenfreada para a biodiversidade marinha, em que há um aumento significativo na Quaresma.

Homem realizando pesca com rede. Fonte: Quangpraha/Pixabay.
CONSUMO RESPONSÁVEL E ESCOLHA SUSTENTÁVEL
É vista em diversos municípios do país a elaboração de “feiras do peixe” que visam suprir a demanda por pescados, mas, ao mesmo tempo, buscam ofertar alimentos seguros e de cultivos próprios da população, evitando aqueles oriundos da pesca extrativa.
Portanto, é possível que a população seja beneficiada pela venda de peixes, respeitando o manejo adequado para não causar danos à biodiversidade local e incentivando a piscicultura (criação de peixes para comércio) local.
Além disso, é importante buscar alimentos com os devidos selos de inspeção a fim de evitar DTA e garantir a saúde alimentar da família. A escolha de produtos sem fiscalização pode acarretar grandes problemas para a saúde humana, da mesma forma que afeta o equilíbrio ecológico do oceano.

Peixes expostos sobre o gelo para a venda. Fonte: Rameshng/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).
Embora a Páscoa seja uma celebração significativa para os católicos, é essencial avaliar a procedência dos peixes consumidos, não somente, mas principalmente durante a Quaresma. Priorizar alimentos com inspeção adequada ou provenientes de cultivo próprio garante maior segurança e qualidade. Dessa forma, é possível incentivar um consumo mais sustentável, optando por peixes que não sejam oriundos da pesca extrativa.
Bibliografia
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50% dos brasileiros são católicos, 31% evangélicos e 10% não têm religião, diz Datafolha. G1. 13 jan. 2020. Disponível em: https://g1.globo.com/politica/noticia/2020/01/13/50percent-dos-brasileiros-sao-catolicos-31percent-evangelicos-e-10percent-nao-tem-religiao-diz-datafolha.ghtml. Acesso em: 17 de mar. de 2025.



