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Estrelas-do-mar: predadoras vorazes do oceano

Autores: Raphaela Alt Müller, Filipe Neves, Raphaela A. Duarte Silveira, Vanessa Pose Martinez e Douglas F. Peiró



Capazes de regenerar seus braços e conhecidas também por serem predadoras de corais, as estrelas-do-mar são animais marinhos que ocorrem em todos locais e profundidades do oceano, até aproximadamente 6.000 metros de profundidade.



Fotografia de uma estrela-do-mar em um aquário iluminado com luz artificial violeta e rochas ao fundo. A estrela-do-mar apresenta 5 braços.

As estrelas-do-mar podem gerar outra estrela-do-mar com o braço perdido, realizando assim, uma reprodução assexuada, onde um indivíduo dá origem a outro exatamente igual e sem troca de gametas. Fonte: Svetlanabar/Pixabay.



A Classe Asteroidea é uma das mais diversas dentro do Filo Echinodermata, que é um dos grandes grupos de animais, incluindo cerca de 1900 espécies, agrupadas em 36 famílias e aproximadamente 370 gêneros existentes. Apesar de serem chamadas comumente de “estrelas-do-mar", elas possuem formas corporais altamente variadas. Algumas espécies são mais esféricas, como as do gênero Podosphaeraster, mais pentagonais (Sphaeriodiscus) e outras mais estreladas com braços longos e um disco quase inexistente (Zoroaster). Outras podem ser infladas e em forma de almofada (como o gênero Culcita) e extremamente achatadas dorsoventralmente com corpos finos como folhas, do gênero Anseropoda. Todas elas com grande diversidade de cores!


Fotografia de uma estrela-do-mar. Ela está em um fundo preto e apresenta algumas fissuras nas membranas que ligam os 5 braços do animal.

A espécie Anseropoda placenta possui o corpo chato, fino em formato de folha. Os braços são curtos e com membranas. Fonte: Hans Hillewaert/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).



Além da diversidade corporal, algumas estrelas-do-mar são bem grandes, como a estrela-do-mar-girassol Pycnopodia helianthoides, considerada uma das maiores estrelas-do-mar do mundo, com uma envergadura que pode chegar a 1 metro de comprimento.


As estrelas-do-mar podem ter 5 braços até 50 braços, como ocorre na espécie Labidiaster annulatus (estrela-do-mar antártica).



COMO SÃO E O QUE COMEM?


Como já vimos, estes animais possuem uma grande diversidade corporal, embora sejam muito semelhantes fisiologicamente. Na parte superior há espinhos calcários, os quais são partes do esqueleto desses animais. Elas possuem uma característica exclusiva do Filo, o sistema ambulacrário ou hidrovascular. Esse sistema é responsável pela locomoção, manipulação de alimentos, circulação, transporte de substâncias, adesão e troca gasosa desses animais.


Desenho da anatomia interna de uma estrela-do-mar sobre um fundo branco. Na região central, encontra-se o ânus, o madreporito, o estômago e o canal circular. Nos braços estão o canal radial, as gônadas, glândulas digestivas, ampolas e pés ambulacrais.

Partes do sistema hidrovascular das estrelas-do-mar. Os equinodermos possuem esse eficaz sistema de canais, responsáveis pela respiração, movimentação e alimentação. Fonte: Modificado de CNX/OpenStax.



A água entra no sistema hidrovascular através do madreporito, ou placa madrepórica, localizado próximo da região anal e vai para o canal circular para depois ser direcionada para os canais radiais que se estendem pelos braços das estrelas-do-mar. Os pés ambulacrais se projetam para fora do corpo do animal, permitindo a saída da água que leva consigo excretas e gás carbônico.


A maioria das estrelas-do-mar apresentam ventosas nas pontas dos pés ambulacrais. Entretanto, as espécies da Ordem Paxillosida apresentam pés afinalados, o que dificulta a compreensão taxonômica do grupo. Este mesmo grupo apresenta outras características incomuns às demais Ordens, já que as espécies não possuem ânus (não evertem o estômago para se alimentar) e a larva não passa pelo estágio de braquiolária durante o desenvolvimento.


A boca fica localizada na superfície inferior no centro do corpo das estrelas-do-mar. Elas são predadoras de animais bentônicos, como os recifes de corais, moluscos, esponjas e outros equinodermos, como outras estrelas-do-mar e ouriços-do-mar.


Fotografia da região inferior de uma estrela-do-mar de cor rosa sobre um fundo preto. A imagem evidencia os pés ambulacrais do animal que se projetam dos canais radiais nos 5 braços da estrela-do-mar.

Parte ventral de uma estrela-do-mar. Reparem nos pés ambulacrais no corpo do animal. Fonte: Patrick Pelletier/Flickr (CC BY-SA 2.0).



PODERES DE REGENERAÇÃO


Os braços são de extrema importância para esses animais, e a perda de algum deles traz uma redução das funções importantes para a sobrevivência, como alimentação, locomoção e reprodução.


O processo de regeneração é muito complexo e só é possível de acontecer, pois as células produzem novas partes do corpo da mesma forma que fazem durante o desenvolvimento embrionário. Assim que a estrela-do-mar tem seu braço amputado, o corpo começa a curar a lesão exposta, da mesma forma que acontece com nós humanos quando nos cortamos. Porém, assim que a lesão cicatriza, o animal começa a criar novas células, provocando um novo crescimento.


Nossas células possuem uma sequência genética nas extremidades dos cromossomos chamados de telômeros. Estes telômeros vão encurtando ao longo da nossa vida, ou seja, ao longo da nossa divisão celular. Nas estrelas-do-mar, esses telômeros conseguem se alongar no processo regenerativo, permitindo a divisão celular sem envelhecer o braço regenerado. Esse novo braço regenerado pode demorar vários meses ou até anos para completar o crescimento.


Algumas estrelas-do-mar podem perder seus braços para fins reprodutivos e também para evitar a predação, como uma resposta de fuga, desorientando o predador, do mesmo modo que as lagartixas fazem com a cauda.


Fotografia de uma estrela-do-mar de cor amarela predando um peixe sobre um fundo azul claro. O peixe apresenta parte do corpo engolido pela estrela-do-mar. Ao fundo percebe-se outra estrela do mar desfocada sobre o substrato.

Alimentação: animais podem ser capturados pelos pés ambulacrais e são direcionados para a boca, onde será iniciado o processo de digestão. Fonte: Petr Kratochvil/Public Domain Pictures (CC0).



IMPORTANTES ECOLOGICAMENTE OU DESTRUIDORA DE ECOSSISTEMAS?


As estrelas-do-mar podem ocupar diversas funções ecológicas. Em ambientes não perturbados por ações antrópicas, elas desempenham um papel importante na manutenção da diversidade de corais, abrindo disponibilidade de habitats para o estabelecimento de outras espécies. No entanto, outras são predadoras vorazes como a estrela-do-mar-coroa-de-espinhos Acanthaster planci, na região do oceano Indo-Pacífico, que já devastou recifes de coral.


A estrela-do-mar-coroa-de-espinhos, com o tamanho populacional normal, é um animal que controla as populações de corais, sem danificar a biodiversidade. Porém, devido à sobrepesca dos seus predadores, como os tritões (anfíbios da Família Salamandridae), e aumento da temperatura do oceano (o que favorece o aumento de número de larvas da Acanthaster planci), ocorre um aumento populacional dessas estrelas-do-mar, afetando o ecossistema que deveria estar em equilíbrio.


A classe Asteroidea também serve de alimento para diversos animais, como alguns peixes, caranguejos, gaivotas, lontras e outras estrelas-do-mar.



AÇÕES ANTRÓPICAS X ESTRELAS-DO-MAR


As ações antrópicas afetam diretamente o ecossistema marinho e, consequentemente, as estrelas-do-mar. Já houve relato de que a regeneração dos braços pode ser inibida pelo aumento da temperatura do oceano. A introdução destes animais por embarcações também ocasiona um desequilíbrio gigantesco aos recifes de corais e a consequente morte desses ecossistemas.


O aumento da temperatura do oceano e alteração da salinidade para o desenvolvimento de larvas, além do comércio do esqueleto para artesanato e alimentação em países asiáticos também faz com que algumas espécies deste Filo estejam em perigo de extinção.


A preservação do oceano é urgente e muito necessária, pois o desequilíbrio de populações ocasionados pelas ações humanas afeta o planeta todo e, consequentemente, a nós mesmos.




Bibliografia


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