Como a morte dos recifes de corais afeta o planeta

Atualizado: 6 de nov. de 2020

Autores: Amanda C. Jerônimo; Mariana P. Haueisen; Thais R. Semprebom e Douglas F. Peiró



Foto de um recife de coral no fundo do mar. A aparência dos corais é de estruturas pontiagudas e ramificadas, com coloração pálida. Alguns peixes nadam próximos aos corais.

Coral branqueado de ramificação (Acropora sp.) na Ilha Heron, Austrália: grande recife de coral. Fonte: J. Roff/Wikimedia Commons (CC-BY-SA 3.0).



CORAIS: PLANTA, MINERAL OU ANIMAL?


Apesar de serem confundidos com plantas ou “pedras coloridas”, os corais são animais invertebrados pertencentes a um grupo de animais chamado Cnidaria. As anêmonas-do-mar e as águas-vivas também fazem parte deste grupo.

Cnidaria (ou cnidários) é um filo do reino Animalia que agrupa animais aquáticos multicelulares de estrutura simples. Possuem apenas uma boca e um estômago simples. No caso dos corais são organismos que não possuem locomoção e estão localizados no substrato do mar.

Existem pelo menos dois tipos de corais. Os que formam os recifes são conhecidos como corais duros (ou hard corals), que extraem carbonato de cálcio da água do mar, formando exoesqueletos de calcário. Outro tipo conhecido são os corais moles (ou soft corals), que são flexíveis e se assemelham à morfologia de algumas plantas.


Montagem com duas fotos. A foto do lado esquerdo é um coral duro de cor marrom no meio de um recife. Do lado esquerdo é um coral mole de cor rosa claro no meio do mar.

Foto do lado esquerdo: coral marrom. Fonte: Derek Keats/Wikimedia Commons (CC-BY 2.0). Foto do lado direito: coral de luva. Fonte: PollyDot/Pixabay (CC0).



Tanto os corais duros quanto os corais moles são formados por estruturas chamadas pólipos. Um pólipo é uma estrutura cilíndrica que adere a uma superfície por uma de suas extremidades. Na outra extremidade situam-se a boca e os tentáculos, que têm como função capturar os alimentos. Os corais são formados por uma colônia de pólipos.


Desenho da anatomia de um pólipo. Na exremidade superior estão os tentáculos, que se unem na boca, comunicando-se com o estômago.

Anatomia de um pólipo. Fonte: Adaptado de NOAA/MarkusZi/Wikimedia Commons (CC0).



BRANQUEAMENTO


Os corais têm uma relação de mutualismo com algas Zooxantela, que vivem dentro dos pólipos. Estes garantem abrigo, segurança e dióxido de carbono, enquanto as algas realizam a fotossíntese, fornecendo energia e colaborando com as cores dos corais.


Quando ocorre a perda do mutualismo e/ou se tem a redução ou perda do pigmento fotossintético gerado pelas algas, ocorre o processo de branqueamento dos corais. Eles passam a apresentar um aspecto pálido devido à exposição do exoesqueleto calcário que está sem pigmentação.


Foto de uma pessoa com trajes de mergulhador, no mar aberto, segurando uma prancheta para anotações. Embaixo dela há um recife de corais, com cores que variam de branco a marrom.

Mergulhador pesquisador estudando o branqueamento de coral no Havaí. Fonte: Caitlin Seaview Survey/Wikimedia Commons (CC0).



Foto da grande barreira de coral, na Austrália. Há corais moles e duros, com cores variadas, mas alguns corais estão no processo de branqueamento, tendo bastante contraste com os corais coloridos.

Grande barreira de coral no processo de branqueamento, na Austrália. Fonte: Jay Galvin/Wikimedia Commons (CC-BY-2.0).



Existem inúmeras causas que levam a esse processo de branqueamento. Ele pode ocorrer tanto por causas ecológicas quanto antrópicas, mas já é de conhecimento geral que a principal causa é devido à interferência humana.


O branqueamento ocorre quando o coral está passando por um processo de estresse e acredita-se que este é um mecanismo de adaptação, de forma que o coral crie uma resistência ao fator estressante.



Temperatura e radiação solar


Existem corais que vivem tanto em águas frias quanto em águas mais quentes. Por serem animais extremamente sensíveis, a pequena diferença de temperatura já pode começar a estimular o branqueamento.



Exposição subaérea e sedimentos


A exposição subaérea ocorre quando os corais são expostos a materiais e partículas formadas no continente. Normalmente este evento ocorre quando se têm marés extremamente baixas, reduções extremas do nível do mar ou elevação tectônica.



Produtos de cuidados pessoais


Estudos apontam que produtos de beleza e cuidados pessoais, tais como protetores solares, possuem químicos que podem se acumular em áreas onde há um grande número de banhistas. Esses químicos podem causar infecções, fazendo com que os corais fiquem doentes e, consequentemente, tenham uma queda de imunidade.



REABILITAÇÃO DOS CORAIS


Um coral pode se recuperar do processo de branqueamento se os fatores estressantes forem eliminados ou estabilizados. Contudo, se esses fatores permanecem, o estresse pode se tornar crônico, deixando o coral com aspecto pálido e vulnerável para doenças secundárias.


Na maior parte das vezes, após o processo de branqueamento, o dano é permanente e não é possível que os corais se recuperem. Levaria décadas para um coral se recuperar completamente, pois a maior parte dos fatores estressantes não ocorre apenas em um período de tempo: são recorrentes ou permanentes, fazendo com que os corais nunca tenham um período de recuperação.



RESTAURAÇÃO DE CORAIS


Existem alguns métodos que são utilizados para devolver, aos poucos, a vida para os recifes de corais. Aqui abordaremos duas formas:


Restauração de forma assexuada


  • Utilizam-se fragmentos de colônias, quebrando pedaços dos corais, obtendo-se clones da colônia doadora.

  • Os fragmentos são mantidos em viveiros ou berçários até que estejam fortes e saudáveis.

  • São replantados em corais jovens ou outros lugares.