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O turismo de observação como ferramenta para a conservação da biodiversidade

Atualizado: 6 de mai.

Autores: Jéssica Nunes Teixeira, Raphaela Alt Müller, Thais R. Semprebom e Douglas F. Peiró


Grupo de pessoas portando câmeras e celulares para tirar foto de uma baleia bem próxima do barco onde estão.

Turismo de observação de baleias, na Austrália. Fonte: E guide travel/Flickr (CC BY 2.0).



O mercado de turismo contribui com o desenvolvimento da economia em diversos países. Na sociedade em que vivemos, o crescimento econômico é frequentemente mais valorizado do que a conservação da natureza, a qual muitas vezes é sacrificada em prol da economia. O ecoturismo é uma vertente do turismo, que surgiu como uma forma de promover a união entre a economia de um local e o meio ambiente. Além disso, ele possui um segmento importante para a conservação e a preservação ambiental: o turismo de observação.



TURISMO DE OBSERVAÇÃO


O ecoturismo se baseia na contemplação dos ambientes naturais ou parcialmente naturais e incentiva a conservação da biodiversidade, por meio da educação ambiental. Além disso, é uma fonte de emprego e, portanto, traz desenvolvimento sustentável para as populações humanas locais.


Alguns benefícios do ecoturismo para as áreas de conservação são: com o valor arrecadado nas atividades, torna-se possível um reinvestimento dessa quantia na conservação dos hábitats, inclusão da comunidade local no processo de geração de renda (hospedagem, comércio de alimentos, visitas com guias locais, serviços aos turistas), educação ambiental e sensibilização dos turistas à preservação da diversidade biológica. Logo, por ser um segmento do ecoturismo, o turismo de observação não só proporciona os mesmos benefícios, como também promove o desenvolvimento de pesquisas a respeito das espécies estudadas. Existem algumas categorias para observar a vida selvagem, como a observação em safáris, observação de aves e o Turismo de Observação de Cetáceos (TOC) ou whale watching.



O TURISMO DE OBSERVAÇÃO DE CETÁCEOS


O TOC configura-se como uma atividade comercial não letal. Essa vertente do ecoturismo marinho permite ouvir e observar baleias, golfinhos e toninhas dentro do seu hábitat natural, com o uso de embarcações, pequenas aeronaves ou mesmo em terra firme, na costa do mar.


Grupo de pessoas dentro de uma embarcação em mar aberto observando através de binóculos uma espécie de cetáceo.

Turistas praticam a observação de cetáceos (whale watching) na costa de Bar Harbor, Maine, nos EUA. Fonte: NightThree/WikimediaCommons (CC BY 2.0).



A prática de observação da vida selvagem proporciona benefícios não só para a população como também aos animais. Em relação à economia, o TOC proporciona uma geração de emprego para as comunidades locais, pois atrai turistas de diversos lugares do mundo, assim, movimenta e arrecada dinheiro por meio de serviços como hospedagens, passeios, guias locais, entre outros. No que se refere aos silvestres, a observação desses organismos colabora com a conservação dos mesmos. Uma vez que pela observação é possível recolher dados e estimular a pesquisa científica a fim de compreender melhor o comportamento dessas espécies e sua história natural, além de possibilitar a realização de campanhas educacionais. Tendo como objetivo sensibilizar e educar os turistas que desfrutam de profundas experiências pessoais capazes de gerar impactos significativos em suas vidas.


O fato de a biodiversidade apresentar valor econômico em seu próprio ambiente natural traz como resultado a oportunidade dela mesma (a biodiversidade) converter-se no artifício ideal para a sua própria preservação. Já, mediante as receitas financeiras geradas pelas atividades turísticas, o lucro pode ser usado para a manutenção de parques nacionais e áreas de proteção ambiental. Além disso, o beneficiamento socioeconômico motiva empresas, governos e comunidades locais a contribuir na conservação das espécies e seus hábitats.



ONDE PRATICAR O TOC NO BRASIL?


No Brasil, as atividades do TOC tiveram início nos anos 1980 com a observação do golfinho-rotador em Fernando de Noronha. Atualmente, é possível praticá-lo em seis locais brasileiros:

Local

Estado

Alvo de observação

Parque Nacional Anavilhanas

Amazonas

Boto-da-Amazônia

Parque Nacional dos Abrolhos e Área de Proteção Ambiental (APA) da Plataforma Continental do Litoral Norte

Bahia

Baleias jubarte coordenadas pelo projeto Baleia Jubarte

APA da Baleia Franca

Santa Catarina

Baleia-franca e Boto-da-tainha

APA de Cananeia-Iguape-Peruíbe

São Paulo

Boto-comum

Reserva Faunística Costeira de Tibau do Sul (Refauts)

Rio Grande do Norte

Boto-cinza

Fernando de Noronha

Rio Grande do Norte

Golfinho-rotador


Imagem representando o mapa do Brasil. Nela, há destacado os principais pontos de observação de cetáceos no país e cada estado tem a mesma cor da sua região. Além disso, cada ponto tem uma foto do cetáceo representante, no fundo.

Ilustração dos 6 pontos de turismo de observação de cetáceos no Brasil. Fonte: © 2023 Douglas Cabral.



Devido à alta demanda no setor de ecoturismo, algumas regulamentações foram criadas para controlar a interação entre humanos e silvestres. Entre elas, existe a portaria IBAMA n° 117/1996, alterada pela portaria nº 24/2002, que proíbe o molestamento de cetáceos e estabelece limites para as embarcações que operam perto deles. Além disso, antes de cada saída para observar os animais são feitas palestras educacionais não só a respeito de como se deve interagir com os silvestres, explicando que não se deve tocá-los ou alimentá-los, apenas apreciá-los de longe, como também informações e curiosidades a respeito da espécie a ser observada.



IMPACTOS NEGATIVOS


Nem tudo são flores. Às vezes, alcançar a conservação da biodiversidade e a sustentabilidade socioeconômica é difícil, visto que o TOC realizado com barcos motorizados vem sendo associado a efeitos negativos sobre tais animais. Por exemplo, interferência na vocalização, alterações nos padrões comportamentais (alimentação, repouso e reprodução), aumento na frequência respiratória. Em outras palavras, impactos em curto prazo podem desencadear problemas em longo prazo. Portanto, são necessários mais estudos a respeito do TOC e seus impactos na fauna.



OBSERVAR É A CHAVE


Dado o contexto, considera-se o Turismo de Observação como a atividade mais sustentável entre todas do ecoturismo, pois promove a educação ambiental e levanta recursos à conservação da biodiversidade. Além disso, o Brasil possui uma rica diversidade biológica, assim, existe um potencial enorme para desenvolver atividades de TOC pela ocorrência de diversas espécies em locais de fácil acesso.




Bibliografia


BRUMATTI, P. N. M. O papel do turismo de observação da vida selvagem para a conservação da natureza. Revista Brasileira de Ecoturismo (RBEcotur), v. 6, n. 4, 2013.


DIAS, R. A biodiversidade como atrativo turístico: o caso do Turismo de Observação de Aves no município de Ubatuba (SP). Revista Brasileira de Ecoturismo (RBEcotur), v. 4, n. 1, 2011.


GOMES, R. R. P. Turismo de observação de cetáceos no Brasil. Dissertação (Mestrado em Ambiente, Tecnologia e Sociedade) – Universidade Federal Rural do Semi-Árido. Mossoró, p. 62. 2021. Disponível em: https://repositorio.ufersa.edu.br/server/api/core/bitstreams/4da3a2bf-5622-44b3-b336-1f5bbb3768f7/content. Acesso em: 26 de abr. de 2024.


LUNARDI, D. G. et al. Avaliação do turismo de observação de botos-cinza na Reserva Faunística Costeira de Tibau do Sul (REFAUTS), Rio Grande do Norte, Brasil. Sustentabilidade em Debate, v. 8, n. 1, p. 40–53, 2017.


SILVA, L. A. F. et al. Turismo de observação de cetáceos no litoral sul do Rio Grande do Norte, Brasil. Revista Turismo & Desenvolvimento, n. 21/22, p. 423- 436, 2014.


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Responsável: prof. Dr. Douglas F. Peiró

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