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Ursos-polares: os predadores do Ártico

Autores: Raphaela Alt Müller, Fernanda Cabral Jeronimo, Raphaela A. Duarte Silveira e Douglas F. Peiró


Fotografia de um Urso Polar. O urso está sentado em uma pedra de gelo olhando aparentemente para o horizonte. Mais a frente, consegue-se perceber água, e ao fundo colunas de gelo.

Urso-polar, Ursus maritimus no gelo Ártico. O macho pode pesar cerca de 450 quilos e a fêmea entre 150 e 250 quilos. Fonte: Papafox/Pixabay.



O mundo está passando por mudanças climáticas e um dos lugares mais afetados é o Ártico. A extensão do gelo marinho do Ártico vem reduzindo 11,3% por década desde 1979. O urso-polar Ursus maritimus é um dos mamíferos marinhos mais dependentes do gelo e, como predador de topo de cadeia, é um indicador importante dos efeitos antrópicos sobre o ecossistema ártico. É uma espécie de mamífero carnívoro da família Ursidae e pode ser conhecido também como urso-branco. Apesar do nome urso-branco, o seu pelo na verdade é translúcido e, por refletir a luz, aparenta ser branco. Abaixo de sua grande camada de pelos, a pele é preta.



OS CAÇADORES DO ÁRTICO


Eles ocorrem apenas no hemisfério norte, e sua abrangência é limitada a áreas onde o mar fica coberto por gelo. Eles permanecem no gelo marinho durante quase todo ano e, por vezes, visitam a terra. São ótimos nadadores, viajam a longas distâncias e chegam a alcançar 10 quilômetros por hora dentro d'água. Assista o vídeo de um Urso Polar caçando belugas.


Fotografia da metade anterior de um urso polar. O urso encontra-se submerso na água, as patas estão juntas no peito, aparentemente ele acabou de pular para dentro d'água.

Os ursos-polares possuem garras grossas, fortes e afiadas, podendo medir mais de 5 centímetros. Utilizam as garras para pegar e segurar as presas e para se agarrar no gelo. Fonte: Eye-Fiくーさん/Flickr (CC BY 2.0).



Além disso, possuem um ótimo olfato, detectando o cheiro da presa até um quilômetro, e podem viajar até 600 mil quilômetros quadrados para encontrar comida. A principal presa desses animais é a foca-anelada Pusa hispida e eles estão intimamente ligados, pois a abundância de um regula a densidade do outro.



REPRODUÇÃO


O cortejo e o acasalamento acontecem no gelo marinho, na forma de brincadeira, onde o macho, na maioria das vezes, se esfrega e brinca no gelo tentando atrair a atenção da fêmea. Machos e fêmeas só se encontram no período de reprodução, que acontece entre março e junho. Os ursos polares vivem em torno de 25 anos, e por volta dos 5 anos de idade, a fêmea já está pronta para reproduzir, enquanto os machos atingem a maturidade sexual aproximadamente aos 6 anos.


A gestação dura entre 200 e 256 dias, variando de acordo com as condições ambientais. Geralmente, as fêmeas dão à luz a 2 filhotes por gestação, e assim que nascem, ela se isola numa toca por 4 meses, sem se alimentar. Os filhotes nascem completamente vulneráveis, com aproximadamente 500 gramas, sem enxergar, sem dentes, com pelagem curta e fina, sem condições de isolamento. Após deixarem a toca, os filhotes ainda ficam com a mãe até os dois anos de idade, e com ela aprendem a se limpar, caçar e sobreviver.


Fotografia de uma fêmea de urso polar com dois filhotes. Eles estão andando por uma rua de asfalto em fileira, a mãe está na frente observando ao redor e os filhotes com o focinho abaixado logo atrás dela. No fundo percebe-se neve e pedras.

Fêmea de urso polar com seus dois filhotes no Wapusk National Park. Fonte: Emma/Flickr (CC BY 2.0).



Para aguentar esse tempo sem comer, as fêmeas precisam ganhar o dobro do peso corporal durante a gestação. Com o gelo marinho formando-se cada vez mais tarde e partindo mais cedo, está se tornando cada vez mais difícil para as fêmeas ganharem a quantidade de gordura necessária para sobreviver ao parto e cuidar dos filhotes.



SEM COMIDA, SEM ESPAÇO, O QUE PODE ACONTECER?


Apesar da situação não estar boa para o lado dos ursos-polares, eles possuem algumas estratégias para os impactos no seu ecossistema. Dados de um estudo publicado na revista Ecological Monographs, alguns ursos-polares conseguem mudar seus hábitos alimentares. No entanto, em outras áreas, eles dependem da disponibilidade de focas-aneladas e focas-barbudas Erignathus barbatus. Esses dados mostram também que os ursos-polares com dietas mais especializadas e restritas podem ser mais vulneráveis ​​às mudanças relacionadas ao clima nas condições do gelo.


Duas fotografias de focas. A foca da esquerda tem vários bigodes compridos abaixo do focinho e está lateralizada olhando para a câmera. A foca da direita está deitada sobre as nadadeiras dianteiras e os seus bigodes não são tão evidentes.

As focas-babudas (esquerda) e as focas-aneladas (direita) são as principais presas na alimentação dos ursos-polares. Fonte: Gonzalo Malpartida/Flickr (CC BY-SA 2.0) e NOAA Fisheries/Wikimedia Commons (CCO).



Eles têm as focas como principal fonte de alimentos, e elas estão passando pelos mesmos problemas causados pelo aumento da temperatura. Isso faz com que os ursos-polares busquem alimentos em regiões mais distantes do polo, e próximos à população humana, o que aumenta o conflito entre humanos e ursos-polares.


Os ursos-polares estão classificados como vulneráveis pela Lista Vermelha da IUCN e sua população está em declínio. A diminuição de seu habitat coloca em risco a sobrevivência da espécie a longo prazo. Estima-se que até 2050, o número de indivíduos caia 30%. Portanto, ações pessoais como redução da produção de lixo, maior uso de transporte público, consumo mais frequente de produtos locais e a redução da utilização de combustíveis fósseis são maneiras de diminuir as emissões de gases do efeito estufa, e consequentemente garantir a sobrevivência desta espécie.




Bibliografia


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MOLNÁR, P. K. et al. Predicting climate change impacts on polar bear litter size. Nature Communications, [S.L.], v. 2, n. 1, p. 1-8, 2011. Springer Science and Business Media LLC. http://dx.doi.org/10.1038/ncomms1183. Disponível em: https://www.nature.com/articles/ncomms1183. Acesso em: 17 abr. 2021.


THIEMANN, G. W.; IVERSON, S. J.; STIRLING, I. POLAR BEAR DIETS AND ARCTIC MARINE FOOD WEBS: insights from fatty acid analysis. Ecological Monographs, [S.L.], v. 78, n. 4, p. 591-613, 2008. Wiley. http://dx.doi.org/10.1890/07-1050.1. Disponível em: https://esajournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1890/07-1050.1. Acesso em: 17 abr. 2021.










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