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A prática do Shark finning: o corte de "barbatanas" de tubarão

Atualizado: 11 de nov. de 2022

Autores: Tamires Oliveira de Carvalho, Raphaela A. Duarte Silveira e Douglas F. Peiró


Corte da nadadeira de um tubarão. Fonte: Naka9707/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).



Shark finning é o nome dado à prática de capturar tubarões e cortar suas nadadeiras (conhecidas popularmente como barbatanas), descartando o corpo do animal vivo a água novamente. É uma prática cruel, levando em consideração que após este feito, o animal não tem possibilidade alguma de continuar seu ciclo de vida.


Esta cultura se tornou popular durante a Dinastia Sung, entre 960 e 1279, quando um pequeno grupo da elite chinesa aderiu ao consumo de um macarrão gelatinoso feito da cartilagem das nadadeiras de tubarão, o que ficou conhecido como “sopa de barbatana de tubarão”. Sua popularidade ocorreu apenas no século XV através de Cheng Ho, um almirante chinês que trouxe centenas de nadadeiras que seriam descartadas na África. Na década de 1980, Deng Xiaoping instituiu mudanças que classificariam uma nova classe média e alta na China. Um dos símbolos para exibir os status se tornou consumir e oferecer sopa de barbatana de tubarão.


A maior parte dos compradores de barbatana são chineses, e embora ela não possua sabor algum e o prato dependa inteiramente do tempero feito pelo cozinheiro, alguns consumidores afirmam que se trata de algo afrodisíaco, entretanto trata-se apenas de uma questão de status. Como consequência, cerca de trinta espécies de tubarões e outros peixes cartilaginosos estão ameaçados de extinção.


Descarte de tubarões sem nadadeiras. Fonte: Sebastián Losada/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0).



É imensurável considerar a quantidade de tubarões mortos para a retirada apenas de suas nadadeiras, que correspondem a uma parte pequena quando comparado ao restante do seu corpo. Além de ser uma prática extremamente cruel.


No Brasil, a prática de retirar nadadeiras e descartar o corpo (finning) é proibida. No entanto, o país não possui uma política que proíba a comercialização das nadadeiras.



NADA A TEMER


Embora muitas pessoas tenham uma visão de “mortais” sobre os tubarões e pensem que eles causam somente malefícios aos seres humanos devido a sua natureza predadora, a verdade é que os seres humanos nem mesmo fazem parte do cardápio destes animais. Os casos de mortes por tubarão são raros, podendo ser ainda menor que as fatalidades causadas por ataques de cachorros, ursos, jacarés, entre outros.



CONSEQUÊNCIAS DA EXTINÇÃO


Os tubarões são animais que vivem em diversos ecossistemas como: manguezais, recifes de coral tropical, águas geladas do Ártico e no oceano aberto. Sua morte interfere diretamente na vida marinha, levando em consideração que relacionados a estes predadores há toda uma rede trófica que, para funcionar, precisa destes elementos que são topo da cadeia alimentar.


Mas como a morte desses animais interfere na vida humana? A predação feita por estes animais permite com que presas fracas e doentes sejam eliminadas, e isto garante que populações de peixes, e outros animais, permaneçam saudáveis. Algumas espécies de tubarão que se alimentam de tartarugas impedem que elas consumam exageradamente a vegetação marinha.



Assim como todos os seres, tanto terrestres quanto aquáticos, são necessários para o ciclo da vida, é importante a conservação de tubarões e posicionamento contra práticas culturais cruéis que os ameaçam.




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Bibliografia


DULVY, N. K.; FOWLER, S. L.; MUSICK, J. A.; CAVANAGH, R. D. KYNE, P. M. HARRISON, L. R.; CARLSON, J. K. 2014. “Extinction Risk and Conservation of the World’s Sharks and Rays.” eLife 3. doi:10.7554/eLife.00590.


GRAY, R. Por que os tubarões atacam humanos? Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/vert-fut-49329806. Acesso em: 28 mar. 2022.







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