Aves marinhas: o que são e quais são?

Atualizado: 16 de abr. de 2021

Autores: Luane Rodrigues, Raphaela A. Duarte Silveira, Thais R. Semprebom e Douglas F. Peiró



Fotografia de uma fragata, ave grande de corpo todo preto, apresentando o papo, conhecido como bolsa gular, evidente e de coloração vermelha. Ela está pousada sobre a vegetação costeira, na Ilha de Galápagos no Equador.

Fragata macho Fregata magnificens Mathews, 1914 com a bolsa gular evidente, indicando que a espécie está em período reprodutivo, na Ilha de Galápagos, no Equador. Fonte: K Whiteford/Public Domain Pictures (CC0).



Aves marinhas fazem parte de um grande e diversificado grupo de espécies que tiveram sucesso na adaptação ao ambiente marinho. Existem 346 espécies de aves marinhas e 97 delas estão ameaçadas de extinção em nível global. São espécies encontradas em todos os oceanos, dependem deles para sobrevivência, utilizam-os para se alimentar, e na terra firme constroem seus ninho e descansam. Portanto, ficam expostas às perturbações no mar e na atmosfera.


O Brasil possui 148 espécies de aves marinhas e costeiras registradas. A costa brasileira é um local de descanso e também de reprodução e está na rota migratória do Atlântico, e possui condições apropriadas de habitat para muitas espécies. Abaixo mostraremos os principais grupos e sua classificação.



ORDENS DE AVES MARINHAS


- Ordem Procellariiformes


Fotografia de um albatroz-de-nariz-amarelo-do-Atlântico voando, Ave grande com a cabeça acinzentada e asas de coloração marrom.

O Albatroz-de-nariz-amarelo-do-Atlântico Thalassarche chlororhynchos Gmelin, 1789 em voo. Espécie com grande ocorrência no litoral sul brasileiro. Fonte: Brian Gratwicke/Flickr (CC BY 2.0).



Este grupo é formado por albatrozes, pardelas, bobos e petréis, animais facilmente encontrados no Hemisfério Sul.


As narinas são em formato de tubo, que auxiliam a expelir o sal e os pés possuem membranas interdigitais, tecido que une os dedos, utilizadas para nadar, decolar e pousar. Apresentam a ponta do bico em formato de gancho, utilizado para capturar presas lisas e rápidas; eles possuem uma grande variedade alimentar, desde o zooplâncton, consumido por pequenas aves como Alma-de-mestre Oceanites oceanicus (Kuhl, 1820), até lulas e peixes, consumido por animais maiores como os albatrozes.


As asas compridas e estreitas auxiliam durante os voos planados, fornecendo uma forma aerodinâmica e diminuindo o gasto energético em grandes percursos. A plumagem é geralmente branca, podendo apresentar tonalidades de cinza e preto, a cauda é curta e, para decolarem, precisam correr alguns metros sobre a superfície da água.


Esses animais aproveitam as correntes de ar sobre o mar, que são horizontais, o que minimiza o esforço para se manterem e ganharem altura, permitindo o voo planado.



- Ordem Sphenisciformes


Fotografia de três pinguins de magalhães, animais com a barriga e pescoço de coloração branca com duas listras pretas. Ao fundo um paredão de rocha com musgos.

Pinguim-de-magalhães Spheniscus magellanicus Forster, 1781. Fonte: dotcomdotbr/Flickr (CC BY-NC-ND 2.0).



Os pinguins são as aves marinhas mais conhecidas, fazem parte da ordem Sphenisciformes e já estão há pelo menos 55 milhões de anos no planeta. São encontrados no Hemisfério Sul, em latitudes no continente Antártico até as Ilhas Galápagos.


Esse grupo perdeu a capacidade de voo, mas em compensação são excelentes nadadores, pois possuem os membros anteriores adaptados em nadadeiras. Costumam ir para a terra quando estão cansados ou em período de reprodução, quando formam as grandes colônias conhecidas como pinguineiras.


O corpo é fusiforme, o tronco é mais espesso e afina-se nas extremidades, as penas são curtas e fazem uma cobertura de isolamento à água uniforme já que não há penas adaptadas para o voo. Os pés costumam deslizar mais fácil pela neve ou gelo, porém também são encontrados em locais onde não neva, porém são grandes, chatos, palmeados e as pernas curtas o que faz com que esses animais caminhem com lentidão e em posição ereta.



- Ordem Pelecaniformes


Fotografia de um albatroz pardo voando. Ave grande de coloração acinzentada com um grande bico e papo alaranjado.

Pelicano pardo Pelecanus occidentalis Linnaeus, 1766 voando no Point Isabel Regional Shoreline, Califórnia. Fonte: Becky Matsubara/Flickr (CC BY 2.0).



Pelicanos, garças, guará e afins pertencem à ordem Pelecaniformes e frequentam as águas brasileiras. A garça-branca-grande é encontrada na América do Norte e em todo o Brasil, principalmente no Pantanal e costas do sudeste, nordeste, norte e todos os rios do território e a garça-branca-pequena está distribuída em todo o Brasil.


Os pelecaniformes possuem quatro dedos com membranas interdigitais, são animais de médio e grande porte que vivem em regiões abundantes de água, de onde retiram seus alimentos, com uma dieta que consiste em peixes, crustáceos e invertebrados marinhos. Reproduzem-se em colônias de diversos indivíduos, sendo esta uma das características da ordem, o gregarismo, espécies cujos indivíduos vivem em grupos.


O guará possuía grande distribuição no litoral de São Paulo, mas dada a pressão pela caça, por suas penas de tonalidade avermelhada, diminuíram sua população e só voltaram a se restabelecer na década de 80.



- Ordem Suliformes


Fotografia de um atobá-marrom voando. É uma ave grande, com a maior parte do corpo marrom e o peito branco.

Atobá-marrom Sula leucogaster Brisson, 1760 voando na Ilha Christmas. Fonte: patrick kavanagh/Flickr (CC BY 2.0).



Estudos genéticos demonstram que quatro famílias anteriormente inseridas dentro da Ordem Pelecaniformes constituem um grupo separado, sendo assim, fragatas, atobás, biguá e biguatinga foram incluídos nessa nova ordem, Suliformes.


Os atobás são os representantes mais presentes no Nordeste e Sudeste do país, são excelentes mergulhadores e podem atingir 20 metros de profundidade. Fragatas estão distribuídas no Atlântico e no Pacífico, sendo encontradas em todo o litoral brasileiro. A biguatinga é um animal de 88 centímetros de comprimento, com bico alongado e serrilhado, que auxilia a fisgar os peixes, por não possuírem glândulas uropigianas, não impermeabiliza as penas, e quando mergulham, as mesmas tende a acumular mais água.


O biguá, conhecido como mergulhão, atinge até 77 centímetros de comprimento, a plumagem é de coloração preta e o saco gular, bolsa de pele inflável na região cervical, amarela. O pescoço é longo, o bico é cinza amarelado e a ponta tem um formato de gancho, no período de reprodução aparecem penas brancas na garganta nua e tufos brancos atrás da região auricular.


Vale ressaltar que, dependendo da fonte utilizada, os dados taxonômicos podem sofrer variações, para o desenvolvimento deste artigo utilizou-se a Lista comentada das aves do Brasil pelo Comitê Brasileiro de Registros Ornitológicos de 2015.