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O “silêncio” do oceano

Autores: Luane Rodrigues, Fernanda Cabral Jeronimo, Raphaela A. Duarte Silveira e Douglas F. Peiró


Fotografia de duas baleias jubartes, é possível ver apenas a cabeça da primeira e na segunda é possível ver uma parte de sua nadadeira dorsal. A água possuiu uma coloração azul viva.

Fotografia de duas baleias jubartes. Fonte: Sylke Rohrlach/WikimediaCommons (CC BY-SA 2.0)



A esquerda é possível ver a parte dorsal da baleia e submerso na água suas nadadeiras, já a direita é possível ver o rosto e o orifício respiratório. Ao fundo tem-se um pequena faixada de rochas e a água é cristalina.

Fotografia de duas baleias jubartes em Paraty - Rio de Janeiro. Fonte: Reprodução Redes Sociais/ G1.



Já imaginou viver em um local com muitos ruídos? Nós sabemos que uma obra na casa ou na rua gera um estresse sonoro. Como seria se esse barulho fosse tão alto que aos poucos você não conseguisse mais estabelecer uma comunicação verbal com aqueles que estão em um mesmo local que você? Assim como nós utilizamos a voz como uma forma de comunicação, os cetáceos também a utilizam, considerando que o som se propaga quatro vezes mais rápido na água.



IMPORTÂNCIA DA VOCALIZAÇÃO


A comunicação pela vocalização é muito importante para os cetáceos. Além disso, o som é a forma pela qual as baleias conseguem conhecer o seu ambiente. Estes grandes mamíferos marinhos são capazes de criar composições sonoras que são reconhecidas apenas por membros da sua espécie, em algumas espécies mães e filhotes criam um diálogo próprio. Um exemplo concreto da importancia dessa comunicação vêm dos machos de baleia-jubarte, Megaptera novaeangliae, que realizam repertórios de canções no período de acasalamento. No entanto, essas melodias estão em constante evolução, podendo se tornar um repertório totalmente novo após alguns anos. As baleias-minke possuem um canto de baixo alcance e estão encontrando dificuldades para manter o contato com seus parceiros e outros indivíduos de sua espécie.



SILÊNCIO NO OCEANO


Fotografia de um baleia minke embaixo da água, ela está de frente para a câmera, sendo possível ver seus olhos, a boca e o orifício respiratório - localizado no topo da cabeça. Ao fundo, observa-se somente o azul do oceano.

Fotografia de uma baleia-minke Balaenoptera acutorostrata. Fonte: Wade Lehmann/Flickr (CC BY-ND 2.0).



Pesquisas recentes mostraram que as baleias-minke estão ficando cada vez mais silenciosas. Mas o que faz isso acontecer e por que deveríamos nos preocupar?


Após a diminuição de outras populações de baleias pela caça, as minke passaram a sofrer maior pressão e a perda de habitat e, eventualmente, sua população também diminuiu.


Fotografia de uma baleia-minke saltando, expondo cerca de 2/3 de seu corpo para fora da água. É possível visualizar o dorso em um tonalidade quase preta e o ventre em tom acinzentado. Ao redor existe apenas água, com a linha do horizonte ao fundo.

Fotografia de uma baleia- minke saltando. É possível avistar essas baleias em águas mais profundas e próximas aos polos. Fonte: Rui Prieto/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).



O som produzido por uma baleia-minke é levemente metálico, porém seu som tem sido abafado devido ao aumento dos barulhos no oceano. Quando submetidas às situações de ruídos, as baleias, como as jubartes, tendem a aumentar o volume para ultrapassar essas barreiras ruidosas, sendo uma mudança normal para animais que se comunicam através do som. Contudo, ao analisar os dados obtidos sobre duas subespécies de baleias-minke - baleia-minke-comum Balaenoptera acutorostrata e baleia-minke-antártica Balaenoptera bonaerensis, percebeu-se que o aumento de sua vocalização só acontece de forma periférica: em ambientes de baixo ruído, é possível ouvir o chamado a 114 quilômetros, mas conforme o ruído aumenta, o chamado passa a atingir apenas 19 quilômetros.


A dificuldade de comunicação entre esses animais pode ter severas consequências, ainda sendo necessário especificar e analisar mais profundamente. Porém, como as baleias dependem do som para sua sobrevivência, a falta de comunicação pode impedir o encontro com um parceiro ou com seus grupos, além de um baixo reconhecimento do ambiente que estão explorando. Sendo assim, lentamente a espécie ficará cada vez mais silenciosa até se tornar incomunicável com outros indivíduos, o que impedirá sua socialização e reprodução.


Apesar da baleia-minke-comum estar classificada como menor preocupação e a baleia-minke-antártica estar quase ameaçada na Lista Vermelha da IUCN, é necessário que sejam desenvolvidos mais estudos sobre essa espécie e sua ecologia, para que possa ser compreendida a forma de comunicação entre os indivíduos. Com estudos sobre a espécie, é possível analisar os principais impactos no ambiente marinho e sua relação com o comportamento dos animais, a fim de encontrar medidas para reduzir os danos e ruídos, principalmente em áreas utilizadas pela espécie, como as regiões de alimentação.



Sugestões de leituras e vídeos para compreender mais sobre as baleias-minke e os cetáceos:




Bibliografia


KORNEI, K. Minke whales are struggling to communicate over the din of ocean noise. Science|AAAS. 2020. Disponível: https://www.sciencemag.org/news/2020/02/minke-whales-are-struggling-communicate-over-din-ocean-noise. Acesso em: 11 abr 2021.


NOAA Fisheries. Minke whale | noaa fisheries. NOAA. https://www.fisheries.noaa.gov/species/minke-whale, 2021. Acesso em: 11 abr 2021.


SANTOS, M. C. de O.; LAÍLSON-BRITO, J.; FLACH, L.; OSHIMA, J. E. F.; FIGUEIREDO, G. C.; CARVALHO, R. R.; VENTURA, E. S.; MOLINA, J. M. B. & AZEVEDO, A. F. Cetacean movements in coastal waters of the southwestern Atlantic ocean. Biota Neotropica, v. 19, n. 2, 2019. https://doi.org/10.1590/1676-0611-bn-2018-0670. Acesso em 11 abr 2020.





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