Determinação sexual em espécies marinhas

Atualizado: 6 de nov. de 2020

Autores: Natália Portruneli, Julia R. Salmazo e Thais R. Semprebom


Foto de um peixe-palhaço com coloração alaranjada com três listras brancas, uma próximo a cabeça, outra no meio do corpo e outra entre o corpo e a nadadeira caudal. Ao fundo podemos ver corais.

Peixe-palhaço (Amphiprion ocellaris). Fonte: Weksart/Pixabay (Domínio Público).



Segundo Darwin (1809 - 1882), naturalista britânico que trouxe grandes avanços para a Biologia Evolutiva, os mecanismos de seleção sexual apresentados em algumas de suas obras, como nos livros "A origem das espécies", de 1859, e "A origem do homem e a seleção sexual", de 1871, descrevem que a diferenciação de sexos pode ocorrer de três maneiras:


  • Caracteres sexuais primários, por órgãos reprodutores distintos;

  • Caracteres sexuais secundários, que não necessariamente estão ligados à reprodução, mas sim a características comportamentais e físicas que distinguem ambos os sexos;

  • Caracteres sexuais ecológicos, relacionados a fatores químicos e físicos do ambiente em que o organismo está inserido.


A maioria dos organismos apresenta um sexo fixo por toda a vida, o qual é determinado por genes. Entretanto, alguns grupos são versáteis quanto à determinação sexual. Os caracteres sexuais ecológicos podem determinar o sexo de um embrião ou até mesmo inverter o sexo de um indivíduo adulto. Algumas espécies marinhas apresentam essa característica peculiar, vejam abaixo.


PEIXE-PALHAÇO


Os peixes-palhaço, como o que aparece na foto de abertura do texto, pertencem em sua maioria ao gênero Amphiprion e são compreendidos em mais de 30 espécies no planeta, mas a mais conhecida é Amphiprion ocellaris. Recebem esse nome popular devido às cores intensas de suas escamas, que lembram o colorido da roupa dos palhaços. Habitam águas rasas e quentes do Oceano Índico e do Oceano Pacífico Ocidental e alimentam-se de algas, zooplânctons e pequenos crustáceos. As anêmonas-do-mar são utilizadas pelos peixes como abrigo e local para a reprodução, apresentando uma relação de mutualismo. As toxinas liberadas pelos tentáculos das anêmonas não agridem os peixes-palhaço, pois estes desenvolveram uma estratégia evolutiva em que utilizam o muco liberado pela própria anêmona para não serem reconhecidos como presas e, assim, ficam imunes à ação dos nematocistos (células urticantes especializadas para a defesa). Para as anêmonas, a vantagem é que podem aproveitar os restos de alimento do peixe-palhaço.