Adaptações dos vertebrados à vida marinha

Atualizado: 4 de mar. de 2021

Autores: Raphaela A. Duarte Silveira, Julia R. Salmazo, Douglas F. Peiró e Thais R. Semprebom


Foto de um peixe-boi de lado, submerso, mostrando várias algas na parte superior do seu corpo. Embaixo há vários peixes nadando.

Peixe-boi marinho, pertencente à ordem dos Sirênios. Fonte: PublicDomainImages/Pixabay (Domínio Público).



De acordo com a teoria evolucionista de Darwin, todos os organismos têm um ancestral em comum e as espécies que vemos hoje são resultados de diversas modificações ao longo dos milhões de anos por meio da seleção natural. Acredito que você já ouviu falar de seleção natural em algum momento da sua vida. A seleção natural é um dos mecanismos básicos da evolução e o resultado desse processo é a seleção de indivíduos mais adaptados ao ambiente. Caso esses indivíduos consigam passar suas características aos seus descendentes, grandes são as chances dessas adaptações se perpetuarem.


Se quer saber mais sobre as adaptações que permitem que alguns vertebrados vivam no ambiente marinho...vamos lá!



ADAPTAÇÕES DOS PEIXES


Os peixes dulcícolas e marinhos são vertebrados aquáticos e eles formam o grupo mais diverso se comparado a qualquer outro grupo de vertebrados. Há dois grupos: os peixes ósseos, cujo esqueleto é formado predominantemente por ossos, e os peixes cartilaginosos, com esqueleto formado por cartilagem. Eles habitam os mais variados tipos de ambiente, desde poças temporárias e lagos parcialmente congelados até águas salobras e as profundezas oceânicas. Mas, para isso, foram necessários milhões de anos de evolução e muitas adaptações morfológicas, funcionais e fisiológicas.


Forma


A maioria dos peixes apresenta um corpo fusiforme, isto é, as extremidades são mais afiladas que o centro. Esse formato hidrodinâmico facilita a movimentação no ambiente, uma vez que diminui o atrito com a água.


Revestimento


Os peixes são recobertos por pele e revestidos por muco. O muco, gerado pelas células glandulares, permite a comunicação química entre os peixes, protege contra possíveis predadores e parasitas e também reduz o atrito com a água. A pele possui duas camadas, a epiderme e a derme, sendo nesta última onde ocorre a formação das escamas na maioria dos peixes, as quais também são responsáveis pela proteção do organismo e redução do atrito com a água.


Nadadeiras


Os peixes não possuem braços e pernas, mas sim nadadeiras, responsáveis pela locomoção (nadadeira caudal, na maioria dos peixes), orientação (nadadeiras peitorais e pélvicas) e estabilidade no movimento (nadadeiras dorsais e anal).


Linha lateral


Essa linha é composta por diversas aberturas ao longo de toda a lateral do corpo do peixe. A água penetra através delas e, por meio das células sensoriais ali presentes, o peixe é capaz de detectar movimentos.


Ilustração da vista lateral de um peixe. Nesse desenho há indicações de estruturas como o opérculo, linha lateral, nadadeiras dorsal, caudal, peitorais, pélvicas e anal e pedúnculo caudal.

Anatomia externa dos peixes. Fonte: Traduzido de User:Gdr/WikimediaCommons (CC BY-SA 3.0).



Flutuabilidade


Os peixes possuem a capacidade de se manter em diferentes profundidades. Nos peixes ósseos a flutuação é assistida por meio da bexiga natatória, uma bolsa de gás que se expande ou se retrai devido ao próprio organismo e à pressão da água sobre o peixe, tornando-o menos ou mais denso que o ambiente. Como os peixes cartilaginosos não possuem bexiga natatória, quem faz o seu papel é uma reserva de óleo no fígado desses animais.


Ilustração lateral de um peixe visto internamente. Podemos ver a espinha dorsal, a bexiga natatória logo abaixo, seguido do estômago, ducto pneumático e intestino.

Alguns órgãos presentes nos peixes. Perceba a anatomia e a localização da bexiga natatória ou vesícula de ar. Fonte: Adaptado de Pough & Heiser, 2008.



Osmorregulação


A osmorregulação é o controle das concentrações de sais nos tecidos para manter o organismo funcionando regularmente. Ela é importante para evitar que peixes de água doce absorvam água continuamente e que os peixes de água salgada percam-na para o meio externo. No caso dos peixes marinhos, eles bebem água do mar e eliminam o excesso de sal pelas brânquias e através da urina concentrada.


ADAPTAÇÕES DOS RÉPTEIS


Os répteis, uns dos primeiros vertebrados a conquistar o ambiente terrestre, são encontrados nos mais variados ecossistemas, inclusive marinhos, para onde retornaram ao longo da evolução. Dentre os répteis marinhos temos as tartarugas, a iguana marinha de Galápagos, as serpentes marinhas e o crocodilo de água salgada.



Tartarugas marinhas


Ao longo do processo evolutivo, a carapaça desses animais se tornou mais achatada que a dos representantes terrestres e, consequentemente, mais leve e hidrodinâmica. As patas dianteiras modificaram-se em nadadeiras, ocasionando uma eficiência maior embaixo d’água. Outra importante adaptação foi o surgimento da glândula de sal, localizada próximo aos olhos. Essa glândula é responsável pela excreção do excesso de sal ingerido junto com alimentos e água pelas tartarugas, mantendo o equilíbrio osmótico delas.



Montagem de duas fotos. A foto superior esquerda há uma tartaruga verde submersa em uma água cristalina e que ao fundo podemos ver alguns recifes de corais. A foto inferior direita temos uma tartaruga terrestre de coloração marrom acinzentada.

Diferenças na carapaça e membros entre a tartaruga marinha Chelonia mydas (à esquerda) e tartaruga terrestre Geochelone gigantea (à direita). Fonte: Brocken Inaglory/WikimediaCommons (CC BY-SA 4.0) e Yotcmdr/WikimediaCommons (Domínio Público).



Iguana-marinha de Galápagos


Para manter uma temperatura adequada para a sua sobrevivência, já que essa espécie habita um ambiente cuja temperatura da água é extremamente baixa, esse animal passa várias horas sobre rochas vulcânicas, onde a radiação solar é muito intensa, absorvendo o máximo de calor possível antes de entrar na água em busca de comida. Outras adaptações são a glândula de sal nas narinas e os dentes em formato de tridente, que cortam as algas o mais próximo possível da rocha. Camuflagem entre as rochas associada com a diminuição dos batimentos cardíacos a uma taxa muito baixa são outras estratégias da iguana para se proteger do seu predador principal, o tubarão-martelo.


Iguana-marinha de Galápagos termorregulando sobre a rocha. Fonte: Diego Delso/WikimediaCommons (CC BY-SA 4.0).



Serpentes marinhas e crocodilo-de-água-salgada


Há s