Comunicação e comportamento dos crustáceos marinhos
- 1 de jul.
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Autores: Mariana Silvestre de Oliveira Donatilio, Raphaela A. Duarte Silveira e Filipe Guilherme Ramos Costa Neves

Caranguejo aratu-vermelho, Goniopsis cruentata - capaz de alterar sua cor conforme o ambiente, estado emocional e época de reprodução. Fonte: Chogeman/Pixabay.
Há cerca de 68 mil espécies de crustáceos conhecidas. No entanto, estima-se que aproximadamente 15 mil espécies ainda não tenham sido descritas, o que representa uma estatística da biodiversidade dos crustáceos. Os crustáceos possuem uma morfologia especializada para viver na água, em sua maioria, possuindo brânquias que realizam a captação do oxigênio.
Seu exoesqueleto é formado por quitina e, devido ao carbonato de cálcio, possui uma textura rígida. Seus membros possuem a função de nadar, rastejar e se fixar em outros organismos. Além disso, tendem a possuir dois pares de antenas para identificar o ambiente ao seu redor.
A DIVERSIDADE DOS CRUSTÁCEOS
Pertencentes ao filo Arthropoda (grande grupo dos artrópodes) - o mesmo dos insetos e aranhas - os crustáceos são caracterizados por possuírem corpos segmentados, exoesqueleto quitinoso e apêndices articulados. São abundantes nas áreas marinhas, desde as regiões costeiras rasas até as profundezas abissais. Portanto, estão entre os animais mais diversos do oceano.
Esses animais são importantes na nossa alimentação. Entre os principais crustáceos, os camarões se destacam. São da infraordem Caridea e da subordem Dendrobranchiata, e a espécie mais consumida e vista por nós é a Penaeus vannamei (camarão-branco-do-pacífico). Habitam geralmente zonas costeiras, estuários e recifes, vivendo sobre fundos arenosos (podendo encontrar mais informações em nosso curso de praias arenosas) ou lodosos.
Outros artrópodes marinhos de grande importância são as lagostas, da família Palinuridae. Altamente comercializada para o consumo humano, a espécie que mais se destaca é a Panulirus argus (lagosta-caribenha). Vivem em recifes de corais e em áreas rochosas, escondendo-se em fendas durante o dia.
Por fim, os caranguejos, infraordem Brachyura, são exemplos de crustáceos mais vistos por nós; a espécie Callinectes sapidus (siri-azul) é comum em manguezais e estuários da América. Encontram-se em diversos habitats marinhos, desde zonas entremarés até áreas profundas.

(A) Camarão-branco-do-pacífico, Penaeus vannamei, é uma das espécies de camarão mais cultivadas no mundo devido ao seu rápido crescimento; (B) Siri-azul, Callinectes sapidus, é muito apreciado na culinária de regiões costeiras; (C) Lagosta-caribenha, Panulirus argus, utiliza suas longas antenas para defesa e orientação. Fonte: (A) François Nguyen/Wikimedia Commons (CC BY 2.0), (B) NOAA/Wikimedia Commons (CC0) e (C) Eric Polk/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).
FORMAS DE COMUNICAÇÃO
Comunicação visual (mudanças de cor, posturas)
Uma das principais formas de interação entre os crustáceos é a visualização, principalmente por meio da mudança de coloração, posturas corporais e movimentação dos apêndices. Alguns caranguejos utilizam suas pinças em rituais de corte, levantando-as e balançando-as a fim de atrair parceiros ou intimidar predadores ou rivais. Como exemplo, o caranguejo aratu-vermelho, Goniopsis cruentata, é capaz de alterar discretamente sua coloração conforme o ambiente, o estado emocional ou o ciclo reprodutivo.
Comunicação química (liberação de feromônios)
Também ocorre a liberação de feromônios que transmitem mensagens de indivíduo para indivíduo. Essas substâncias são dissolvidas na água e indicam características importantes como o sexo, disponibilidade para acasalamento e status social do animal. Fêmeas de camarões liberam feromônios quando estão próximas do período de acasalamento, indicando receptividade aos machos.
Comunicação tátil (toques com antenas, pinças)
Em ambientes turvos e escuros, o toque se torna uma ferramenta primordial para a comunicação intraespecífica (entre indivíduos da mesma espécie). Utilizam seus apêndices (antenas, pernas e pinça) para tocar uns aos outros e reconhecer possíveis parceiros, rivais ou membros do grupo. Tais interações são comuns em momentos de busca por alimento e abrigos, e em momentos de acasalamento, em que o macho pode acariciar a fêmea com as patas ou antenas antes do acoplamento.
Comunicação sonora
Poucos crustáceos apresentam interação sonora efetiva, mas algumas espécies de camarões, como as do gênero Alpheus (camarões-pistola), produzem sons estalando suas pinças, podendo atingir até 210 decibéis. Sua função varia, sendo utilizada para afugentar predadores, comunicar-se com parceiros ou atordoar presas. Em outros grupos, como os caranguejos, pode-se realizar fricção das partes do corpo para produzir sons de alerta indicando dominação.

Camarão-pistola, Alpheus heterochaelis, pode atingir até 120 decibéis com seus estalos. Fonte: Chan T. Y. & Lin C. W/Wikimedia Commons (CC BY 4.0).
A comunicação dos crustáceos ainda é uma área da biologia marinha que requer mais estudos aprofundados e maior interesse por parte dos pesquisadores. A ausência de vocalização audível não significa ausência de linguagem, sendo utilizada de diversas formas para expressar dominância, marcar o momento de acasalamento e reconhecer membros do grupo. Compreender essas formas de convívio é essencial para a conservação, o manejo sustentável e a convivência com esses animais marinhos.
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