Acidentes com águas-vivas no Brasil: um problema em ascensão?

Atualizado: 6 de nov. de 2020


Autores: Thomas Antonétti Karloh, Renato Nagata, Raphaela A. Duarte Silveira, Thais R. Semprebom e Douglas F. Peiró

água-viva em tom azulado bioluminescente em um fundo preto.

Chrysaora lactea, uma das principais espécies causadoras de acidentes na costa brasileira. Fonte: Marcelo Visentini Kitahara/Banco de imagens Cifonauta (CC BY-NC-SA 3.0).



OCORRÊNCIA DE ÁGUAS-VIVAS NA COSTA E SUAS PRINCIPAIS CONSEQUÊNCIAS


Águas-vivas são familiares às populações litorâneas, que geralmente carregam uma visão negativa sobre esses animais, devido aos acidentes e prejuízos à pesca, que se intensificam quando esses organismos atingem grandes densidades no mar. São conhecidas cerca de 1500 espécies, das quais a grande maioria mede menos de 2 centímetros, porém algumas espécies podem medir mais de 2 metros de diâmetro e ter tentáculos de até 40 metros, que poderiam envolver um ônibus.


Embora a presença desses animais seja, de certa forma, esperada e usual, ao longo dos últimos anos um aparente aumento no número de acidentes com banhistas tem chamado a atenção de autoridades e da sociedade. Somente no mês de janeiro de 2017, ocorreu um surto de acidentes em Santa Catarina, com mais de 6600 casos registrados. Durante o verão de 2018-2019, foram registrados cerca de 50 mil atendimentos a banhistas, feitos pelo corpo de bombeiros do litoral do Rio Grande do Sul. Informações sobre a biologia geral desses animais ainda são escassas e pouco difundidas, e são essenciais para se compreender o contexto desses surtos de acidentes.



PRINCIPAIS ESPÉCIES OCORRENTES NA COSTA BRASILEIRA


Olindias sambaquiensis: Esse hidrozoário é conhecido por pescadores de algumas regiões como "água-viva reloginho". Pode atingir até 10 cm de diâmetro e é o principal responsável por acidentes nas praias do extremo sul do país. Possui inúmeros tentáculos finos, de coloração amarelada, alaranjada ou púrpura. Intoxicaç