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Fossas oceânicas: profundidade ao extremo

Atualizado: 2 de set. de 2022

Autores: Nicholas Negreiros, Fernanda Cabral Jeronimo, Thais R. Semprebom, Mariana P. Haueisen, Raphaela A. Duarte Silveira e Douglas F. Peiró


Vista de cima da formação natural chamada grande buraco azul. Na foto podemos ver como o buraco é um círculo perfeito com alguns bancos de areia ao redor e as diferenças no tom de azul, que dentro da formação é muito mais escuro do que ao redor. Vemos também algumas embarcações navegando por dentro do círculo.

Um dos maiores “buracos azuis” do mundo, o Great Blue Hole (grande buraco azul), em Belize, na América Central, com 300 metros de largura e 124 metros de profundidade. Fonte: US Geological Survey/Wikimedia commons (CC0).



Dentre tudo o que se sabe ao longo de tantos anos de exploração oceânica, as zonas de profundidade têm se mostrado bastante desafiadoras para os cientistas. Essas zonas guardam uma abundante diversidade e também uma incrível história geológica, uma vez que, para a formação de uma região desse porte, é necessário uma imensa transformação geológica durante milhares de anos.


Observando as diferenças de profundidade e distância dos continentes, podemos dividir as regiões em região nerítica (estende-se até o final da plataforma continental, geralmente 200 m de extensão) e região oceânica (toda zona a partir da plataforma continental), além de existirem zonas de profundidade, que são: zonas epipelágica, mesopelágica, batipelágica, abissopelágica e hadopelágica.


Ilustração mostrando as divisões oceânicas. Do lado esquerdo há a representação de um corte longitudinal do costão, com as zonas hadal, abssal, batial, plataforma continental, bentônica e litoral. Do lado direito, ha a divisao de acordo com a profundidade, epipelágica, mesopelágica, batipelágica, abissopelágica e hadopelágica, assim como em zonas fótica e afótica. Na parte superior da imagem, há a divisão de acordo com a distancia do continente, em nerítica e oceânica.

Divisões oceânicas de acordo com a profundidade e distância do continente. Fonte: adaptado de Chris huh/Wikimedia Commons (CC0).



As áreas de grande profundidade se formam a partir do choque entre duas placas tectônicas. Quando uma dessas placas é mais densa, ela tende a mergulhar sob a outra, formando uma grande depressão entre as duas, além de ilhas vulcânicas nos arredores. Esse movimento das placas se chama subducção.


Ilustração mostrando como se dá a formação das zonas de subducção. Na imagem podemos ver a astenosfera em um tom laranja, sendo cortada pela placa do pacífico em um tom cinza enquanto que a placa continental também em tom cinza, permanece na superfície. Podemos observar também a formação de ilhas vulcânicas em um tom marrom, a água do mar em um tom de azul e uma marcação de profundidade ao lado direito.

Esquema de como funciona uma zona de subducção. Observe que a placa do pacífico é a mais densa, logo, ela mergulha sob a placa continental. Fonte: adaptado de Beau H2/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).



FOSSAS OCEÂNICAS: OS LOCAIS MAIS PROFUNDOS DO PLANETA


As fossas oceânicas são algumas dessas áreas extremas e estão espalhadas por todo o planeta, mas a maioria está concentrada nas extremidades do círculo de fogo do Oceano Pacífico (área de intensa atividade vulcânica e tectônica de placas).


Ilustração de parte do mapa mundi, dando ênfase em vermelho aos extremos da placa do pacífico e demarcando as fossas ocêanicas ali presentes com linhas azuis mostrando o chamado "círculo de fogo", que vai da costa do Chile até a Nova Zelândia passando por todas as costas do oceano pacífico.

Círculo de fogo, uma área de intensa atividade vulcânica que se estende por toda a borda da placa do pacífico. Fonte: Gringer/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).



Em 1953, o suíço Auguste Piccard colocou em ação o primeiro projeto de submarino batiscafo do mundo, o Trieste. Ele foi projetado e equipado especialmente para mergulhos de profundidade e, depois de passar por vários testes, foi comprado pela marinha dos Estados Unidos. Sob nova direção, o submarino recebeu algumas melhorias para o seu maior desafio: O challenger deep.



AS FOSSAS MARIANAS E O CHALLENGER DEEP


Ao lado das Ilhas Marianas, a aproximadamente 2 mil km ao norte de Nova Guiné, está localizada a maior depressão de todas. As Fossas e as Ilhas Marianas estão logo acima da maior zona de subducção registrada e, com uma profundidade tão grande, podemos contar nos dedos o número de pessoas que já chegaram ao fundo dessa incrível formação.


O challenger deep (como foi batizado o ponto mais profundo do planeta) alcança quase 11 mil metros de profundidade, a luz do sol já deixou de se propagar desde os 6 mil metros e a pressão é tão grande que esmagaria um submarino comum em questão de segundos, por isso o projeto de Auguste Piccard foi tão importante. Em 1960, o submarino batiscafo Trieste finalmente estava pronto para sua performance principal: a descida até o challenger deep.


Foto em preto e branco do Trieste içado por um guindaste, com algumas pessoas trabalhando embaixo segurando os cabos em um porto. Ao fundo vemos o mar com algumas ondas e pequenas embarcações.

Foto do submarino batiscafo Trieste, tirada por volta de 1958. Fonte: Naval History and Heritage Command/Wikimedia Commons (CC0).



Tripulado pelo engenheiro suíço Jacques Piccard e pelo tenente da marinha americana Don Walsh, o submarino alcançou incríveis 10.911 metros de profundidade e deu início a uma nova era na exploração do mar profundo, servindo de base para equipamentos que conhecemos ainda hoje, como os submarinos não tripulados utilizados na exploração de petróleo, por exemplo. Em março de 2012, o diretor de cinema James Cameron foi a primeira pessoa a descer sozinha até o challenger deep no batiscafo Deepsea Challenger e documentou toda sua viagem, que durou pouco mais de duas horas, permanecendo 70 minutos lá no fundo.



ALÉM DAS FOSSAS MARIANAS, QUAIS SÃO OS LOCAIS MAIS PROFUNDOS DO PLANETA?


As intensas atividades vulcânicas no leito do Pacífico e do Atlântico também nos presentearam com outras incríveis formações desse tipo, depressões tão profundas que poderiam cobrir o monte Everest e ainda sobrariam milhares de metros de coluna d’água. Algumas dessas incríveis depressões no leito marinho são:


Fossa de Tonga: 10.880 m

Fossa das Curilas: 10.542 m

Fossa das Filipinas: 10.540 m

Fossa de Porto Rico (Atlântico): 8.376 m


Com expedições não tripuladas durante anos, já conseguimos observar e entender como funciona grande parte desse bioma, até mesmo sacos plásticos foram encontrados no challenger deep por cientistas em 2018. Não é assustador pensar nos lugares em que nosso lixo pode chegar? Até mesmo sob 11 mil metros de profundidade nossos hábitos e nossas ações se tornam um fator degradante para o meio ambiente.


As informações sobre o extremo mar profundo ainda não chegam com tanta precisão ou frequência, mas a ciência avança a cada dia para conseguirmos ultrapassar essa fronteira.


O que será que essas regiões de intensa profundidade escondem? Será que existe algo mais para explorarmos por lá?




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Bibliografia


ALVIM, C. F.; GUIMARÃES, L. S.; FERNANDES, L. P. C. A Nova Fronteira: O mar profundo. 2013. 43 f. Center For Mineral Technology, Rio de Janeiro, 2013. Disponível em: <https://www.cetem.gov.br/images/palestras/2013/sustentabilidade/artigos/leonam_guimaraes.pdf>. Acesso em: 22 ago. 2020.


BALASUBRAMANIAN, A. Deep Ocean Trenches. Mysore, 2014. 8 p. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/309464565_Deep_Ocean_Trenches. Acesso em: 22 ago. 2020.


COLAÇO, A.; CARREIRO & SILVA, M.; GIACOMELLO, E.; GORDO, L.; VIEIRA, A.; ADÃO, H.; GOMES-PEREIRA, J. N.; MENEZES, G.; BARROS, I. Ecossistemas do Mar Profundo. 2017. Disponível em <https://www.sophia-mar.pt/uploads/Guia_7_Ecossistemas_do_Mar_Profundo.pdf>. Acesso em: 26 ago. 2020.









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