Cavalos-marinhos: mamíferos ou peixes?

Atualizado: 11 de jan. de 2021

Autores: Raphaela A. Duarte Silveira, Thais R. Semprebom e Julia R. Salmazo


Imagem de um cavalo marinho no aquário.

Cavalo-marinho (Hippocampus sp.). Fonte: Christian Bisbo Johnsen/unsplash (Domínio Público).



Os cavalos-marinhos pertencem à classe Actinopterygii, que juntamente com os Sarcopterygii formam o grupo Osteichthyes, ou popularmente conhecidos como peixes ósseos. Os peixes ósseos representam cerca de 96% dos peixes existentes, sendo o grupo de vertebrados mais diverso em número de espécies e indivíduos. As suas características mais marcantes são esqueleto ósseo (por isso o nome peixes ósseos), escamas dérmicas, opérculo (uma placa de ossos) cobrindo a câmara branquial em ambos os lados, nadadeira caudal homocerca, dois pares de nadadeiras medianas, boca terminal e vesícula gasosa (também conhecida como bexiga natatória).


Quem já viu uma tilápia, um exemplo de peixe ósseo, sabe que a sua anatomia é bem diferente de um cavalo-marinho, mas, sim, eles são do mesmo grupo. Venha conferir as principais características desses seres incríveis!



Na parte superior um peixe ósseo e na parte de baixo um cavalo marinho.

Diferença morfológica entre o cavalo-marinho e outro peixe ósseo. Fonte: adaptado de arhnue/Pixabay (Domínio Público) e christels/Pixabay (Domínio Público), respectivamente.



ANATOMIA


- Corpo:


A característica mais peculiar dos cavalos-marinhos é a forma do seu corpo, que parece ser a fusão de vários animais: a cabeça de um cavalo, uma cauda serpentiforme ou parecida com a de um macaco, uma bolsa similar à dos marsupiais (como cangurus) e os olhos com movimentação parecida com a dos camaleões.


Ao contrário da maioria dos outros peixes ósseos, os cavalos-marinhos não possuem escamas, mas sim um exoesqueleto formado de placas ósseas externas fundidas, resultando em uma cobertura carnuda. Eles podem variar de 1,5 cm a 36 cm de comprimento.



Imagem mostrando a anatomia do cavalo marinho.

Algumas estruturas externas dos cavalos-marinhos. Fonte: adaptado de Clker/Pixabay (Domínio Público).



- Visão:


A visão dos cavalos-marinhos é bem desenvolvida e seus olhos podem funcionar independentes um do outro, ou seja, enquanto um olho está olhando para a frente, o outro pode olhar para trás. Essa habilidade é muito eficiente na procura de alimentos.


- Focinho:


O focinho desses animais é fino e alongado, o que permite procurar por alimentos em fendas. Além disso, há uma certa flexibilidade nessa estrutura, que pode se expandir se a presa for maior que ela. Os cavalos-marinhos não são capazes de mastigar, então, ao encontrar o alimento, eles o sugam pelo focinho, da mesma forma que um aspirador de pó.

- Cauda:


A cauda dos cavalos-marinhos é preênsil, o que permite a eles se agarrar em plantas e algas a fim de não serem arrastados pelas correntezas e ondas.



Foto de um cavalo marinho de coloração amarela preso pela cauda preênsil em um recife de coral.

Hippocampus reidi. Observe a cauda preênsil e o focinho alongado. Fonte: Cliff/WikimediaCommons (CC BY 2.0).



HABITAT


Os cavalos-marinhos são encontrados em águas litorâneas, como recifes, baías, em meio a algas e em regiões estuarinas, como manguezais e canais. Sua distribuição ocorre em zonas tropicais e temperadas, abrangendo toda a costa brasileira.


Esses animais possuem seus territórios definidos, apesar de um território se sobrepor a outros. As fêmeas possuem território de aproximadamente 100 m² e os machos, de aproximadamente 0,5 m².


LOCOMOÇÃO


Os cavalos-marinhos não são nadadores muito habilidosos. Eles dependem muito da nadadeira dorsal, que bate cerca de 30 a 70 vezes por segundo, para impulsioná-los. As nadadeiras peitorais, que ficam nas laterais da cabeça, têm a função de proporcionar estabilidade e direcionamento.



DIETA


No geral, eles se alimentam de pequenos crustáceos, como camarões, e outros pequenos animais marinhos. Os adultos podem chegar a comer 30 a 50 vezes ao dia, enquanto que os filhotes comem muito mais. Já foi registrado o consumo 3600 crustáceos num intervalo de dez horas por juvenis de H. zosterae!


CORTEJO E REPRODUÇÃO


Os cavalos-marinhos são monogâmicos e existem relatos de que algumas espécies possuem o comportamento de saudação diária. A fêmea encontra o macho em seu território todos os dias cedo e eles mudam de coloração. O macho se move ao redor da fêmea e ambos giram em torno de um objeto por cerca de uma hora. Após esse processo, a fêmea volta para o seu território. Esse cortejo reforça o vínculo criado por eles.


Esses animais são os únicos em que ocorre uma gravidez reversa. A prática sexual é convencional, pois os machos que cortejam as fêmeas e competem pelo acasalamento. Porém, a gestação dos filhotes ocorre dentro do corpo do macho, após a fêmea transferir seus gametas para a bolsa dele. O número de ovos pode variar entre 50 e 150 em espécies pequenas, e 1500 para as maiores. O tempo de gestação pode variar de 14 dias a quatro semanas e o processo de dar à luz os filhotes pode chegar a 12 horas.



Foto de um cavalo marinho de coloração roxa grávido, podemos perceber o seu abdome inchado.

Cavalo-marinho macho grávido (Hippocampus whitei). Fonte: