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Algas? Sim, por favor!

Autores: Filipe Guilherme Ramos Costa Neves, Raphaela A. Duarte Silveira e Douglas F. Peiró


Fotografia de um prato de Wakame contendo várias algas de cor verde no centro do prato.

Salada de Wakame, um prato que utiliza esta alga na preparação. Fonte: Benoît Prieur/Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).



As algas são um grupo do qual fazem parte organismos clorofilados que realizam a fotossíntese: cianobactérias, clorofíceas, glaucófitas, rodófitas e as linhagens que se sucederam desses grupos. É impressionante saber que esses indivíduos transformaram a atmosfera primitiva, adicionando o oxigênio à atmosfera anóxica da época. Vários organismos se adaptaram a este novo ambiente, enquanto aqueles que não resistiram foram extintos.


Microfotografia de uma alga, que possui várias células em formato triangular e coloridas em verde-limão. Cada célula possui uma projeção, que se assemelha a um bastão. A microfotografia apresenta fundo azul marinho.

Uma alga microscópica em interação colonial. Cada parte verde é uma célula de alga, que apresenta projeções importantes para a flutuabilidade e para a proteção do organismo. Esses organismos contribuíram para moldar a atmosfera do planeta pela sua capacidade de produzir grandes quantidades de oxigênio. Fonte: FotoshopTofs/Pixabay.



As algas são organismos essenciais para o nosso planeta e quase todas as outras espécies, sejam aquáticas ou terrestres, dependem delas. Uma vez que o oxigênio que as células de cada ser vivo necessitam para realizar o processo da respiração aeróbica é proveniente, quase em sua totalidade, da fotossíntese das algas.



OXIGENANDO O PLANETA

Ilustração do processo da fotossíntese em uma alga marinha. Está representada na imagem uma alga em verde claro e uma seta curvada indicando os reagentes da reação da fotossíntese como CO2 e H2O e os produtos: O2 e carboidratos. O sol está representado à direita da imagem e acima em amarelo com segmentos de reta apontando para a reação química indicando os raios solares chegando na superfície das algas.

Ilustração sobre o processo da fotossíntese, que é uma síntese de carboidratos que ocorre na presença de luz, sendo esta naturalmente conseguida pelo Sol. Fonte: © 2021 Filipe Guilherme Ramos Costa Neves.



O processo de fotossíntese é comum a alguns organismos além das algas, como em certas bactérias fotossintetizantes e na maioria das plantas. Neste processo há a produção de energia (glicose C6H12O6) que é formada pelo processo de absorção da luz solar transformando moléculas de gás carbônico (CO2) e água (H2O) (que são absorvidos pelas algas).


A fórmula da fotossíntese: 6CO2 + 12H2O + luz → C6H12O6 + 6O2 + 6H2O


A clorofila é uma molécula presente nas células das algas, que assimila a energia solar e utiliza essa energia para produzir glicose e liberar o oxigênio para o meio. O oceano é considerado o “pulmão do mundo”, pois os organismos que ali vivem produzem maior quantidade de oxigênio do que consomem. Percebe-se assim que o oceano foi (e continua sendo) o grande responsável pela evolução da vida no planeta.



AS ALGAS NAS INDÚSTRIAS ALIMENTÍCIA E FARMACÊUTICA


As algas são utilizadas na indústria para diversos fins. Constituem uma fonte de alimentação para um grande número de pessoas. Elas são ricas em nutrientes (sais minerais, proteínas (com todos os aminoácidos essenciais), vitaminas e fibras com concentrações superiores às das plantas vasculares e um baixo teor de gorduras), sendo assim ideais para uma nutrição de qualidade.


Fotografia de um prato de Wakame em um prato branco sobre o qual há dois hashis. O wakame é verde e sobre o qual há três pedaços de abacate.

Prato de Wakame com abacate, composto na maior parte por uma alga. É uma iguaria oriental vendida em muitos restaurantes. Fonte: Zuzyusa/Pixabay.



Alguns exemplos de algas que servem para a alimentação humana são o: wakame, Undaria pinnatifida, da classe Phaeophyceae; dulse, Palmaria palmata, da divisão Rhodophyta; o espaguete-do-mar Himanthalia elongata, da classe Phaeophyceae; o kombu, Saccharina japonica, Laminaria ochroleuca e S. latissima, da classe Phaeophyceae; o nori, Porphyra spp., da divisão Rhodophyta; o musgo-da-Irlanda, Chondrus crispus, da divisão Rhodophyta; o fucus, Fucus spp., da classe Phaeophyceae; o agar-agar, Gelidium corneum, Pterocladiella capillacea e Gracilaria gracilis, da divisão Rhodophyta.


Fotografia da espécie de alga da ordem Phaeophyceae de cor parda, apresentando vários ramos ligados a uma haste central como parecendo um galho de palmeira.

Alga da espécie Undaria pinnatifida. Essa alga tem uma grande concentração de iodo, importante para a regulação dos hormônios produzidos pela tireóide. Fonte: CSIRO/Wikimedia Commons (CC BY 3.0).



Por exemplo, a alga Undaria pinnatifida é rica em iodo e, portanto, importante para a regulação dos hormônios produzidos pela tireóide. A Palmaria palmata é rica em vitamina C e vitamina A, importantes para o desenvolvimento das células responsáveis pela visão e também regeneração de mucosas, ou seja, da camada de células interna dos órgãos como pulmão, dos órgãos do sistema digestivo e da vagina.

Fotografia de quatro sushis sobre um prato de porcelana. Os sushis estão envolvidos por algas do tipo Nori, que apresentam cores escuras e dentro das quais está o arroz branco.

Quatro rolinhos de sushi envoltos pelo Nori, uma alga vermelha do gênero Porphyra. Fonte: Shutterbug75/Pixabay.



Devido a essas propriedades, as algas são utilizadas por vários povos indígenas. Atualmente, são coletadas e utilizadas pelas indústrias para a produção de uma gama de produtos, como espessantes e estabilizantes para a produção de sorvetes e geleias. Isso porque as algas produzem substâncias como a carragenina, um carboidrato com um número grande de átomos de carbono ligados entre si.


O agar que é produzido a partir de extratos de algas são utilizados em comprimidos, cápsulas e lubrificantes cirúrgicos. Além disso, alguns compostos de algas possuem propriedades antibacterianas como a alga Isochrysis galbana (Prymnesiophyceae), inibindo culturas de Mycobacterium tuberculosis, a bactéria causadora da tuberculose. Podem ter ações antifúngicas (contra fungos) e antivirais (contra vírus) também.


Não somente isso, mas alguns tipos de algas produzem toxinas que inibem a divisão celular de outros organismos, sendo uma esperança nas pesquisas sobre o câncer. Sendo assim, há uma provável chance de serem utilizadas para inibir a reprodução de células cancerígenas.



Seriam essas algas o futuro da humanidade? Sabemos que elas foram muito importantes para a biodiversidade em épocas passadas. Inclusive, são a base da cadeia trófica em ambientes aquáticos. O ser humano vive um dilema, pois o crescimento populacional é crescente e há uma grande demanda por alimento. Deveríamos voltar nossos olhos mais ao oceano pois ele pode nos fornecer muito do que precisamos!




Bibliografia


FONSECA, J. A. Aplicação de algas na indústria alimentar e farmacêutica. Dissertação. Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade Fernando Pessoa, 2016.


GOULD, S. B.; WALLER, R. F. & MCFADDEN, G. I. Plastid evolution. Annual Review of Plant Biology, v. 59, 2008. Disponível em https://www.annualreviews.org/doi/abs/10.1146/annurev.arplant.59.032607.092915. Acesso em: 23 out. 2021


GUIRY, M.D. & GUIRY, G.M. AlgaeBase. World-wide electronic publication, National University of Ireland, Galway, 2021. Disponível em https://www.algaebase.org. Acesso em: 23 out. 2021.


PEREIRA, L. As algas marinhas e respectivas utilidades. Monografias, v. 913, p. 1-19, 2008.






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Responsável: prof. Dr. Douglas F. Peiró

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