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Lagosta-pugilista: o ‘Mike Tyson’ do oceano

Atualizado: 2 de jun. de 2023

Autores: Aline Pereira Costa, Lucas Rodrigues, Fernanda Cabral Jeronimo, Raphaela A. Duarte Silveira e Douglas F. Peiró


Fotografia da lagosta pugilista no fundo do mar. Substrato marinho com grãos de areia na cor cinza. Repousando sobre esse substrato, tem lagosta pugilista, seu dorso é verde escuro vibrante com algumas manchas em preto, seus apêndices (patas) são marrons e possui algumas manchas claras próximo aos olhos.

Lagosta-pugilista Odontodactylus scyllarus com suas cores vibrantes. Fonte: Thierry Peres/ Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).



A lagosta-pugilista ou também conhecida por mantis shrimp, Odontodactylus scyllarus, é mais um dos animais fascinantes do ambiente marinho. Além de apresentar cores fantásticas, esse animal é responsável pelo golpe mais potente do mundo animal. É popularmente conhecido por vários nomes como: tamarutaca, lacraia-do-mar, lagosta-boxeadora ou pugilista, camarão-louva-a-deus e camarão-palhaço.


Apesar de ser chamado de camarão ou lagosta, a lagosta-pugilista não pertence à ordem Decapoda, mas sim a ordem Stomatopoda. Habita águas tropicais e subtropicais na região Indo-Pacífico, entre Guam e a África Oriental. Pode chegar a medir de 10-20 cm de comprimento, pesar entre 12 e 90 gramas e sua dieta é composta por peixes, caranguejos e camarões.


Mapa do mundo com a representação da distribuição da lagosta pugilista. Em cinza está representado os continentes, a representação dos oceanos está em branco e entre o leste da costa da África até oeste do continente Americano, a cor azul representa a região de distribuição da lagosta pugilista.

Área de distribuição da lagosta pugilista, Odontodactylus scyllarus. Fonte: I naturen/ Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).



Sua principal cor é o verde e seus apêndices são alaranjados com presença de manchas na carapaça anterior. Por possuírem cores vibrantes é que a lagosta-pugilista também é chamada de camarão-palhaço. Além disso, essa espécie também é conhecida por camarão-louva-a-deus pois possui o segundo par de apêndices, usado na captura de presas, bem maiores, assim como ocorre nos louva-a-deus.


São animais de hábito solitário e territorialista e passam a maior parte do tempo escondidos em rochas ou enterrados no substrato, próximos a base dos recifes de coral. Suas tocas chegam a ter de 3 a 40 metros de profundidade e apresentam a forma de U. Geralmente seus predadores são espécies de atuns do gênero Thunnus, algumas espécies de peixes maiores e até mesmo o ser humano.


Fotografia da lagosta pugilista, região dos olhos na cor azul e apêndices marrom vibrante com manchas brancas e verde claro. A lagosta pugilista está na entrada de sua toca (buraco).

Lagosta-pugilista na entrada de sua toca, na Indonésia. Fonte: Prilfish/Flickr (CC BY 2.0).



Outra característica interessante desses animais é sobre sua visão. Seus olhos estão localizados em longas hastes, podendo se mover independentemente. A sua visão é trinocular, o que significa que estes animais são capazes de medir a profundidade e a distância por conta própria, focalizando objetos em três regiões distintas. Além disso, são animais capazes de enxergar um tipo especial de luz em espiral, também conhecida por luz circularmente polarizada, e podem enxergar do espectro ultravioleta ao infravermelho. Seus olhos possuem de doze a dezesseis fotorreceptores de cores diferentes e, com isso, são capazes de analisar mais cores do que os seres humanos, já que o olho humano possui três tipos de receptores que respondem a luz azul, verde e vermelha.



GOLPE FATAL


As lagostas-pugilistas recebem esse nome não é à toa. Afinal, no reino animal, são detentoras do golpe mais potente, uma vez que podem desferir socos com a mesma velocidade de um tiro de calibre 22. O golpe é capaz de atingir uma velocidade superior a 80 km/h, com uma força de mais de 150 kilogramas-força, suficiente para quebrar o vidro de um aquário.


Seus apêndices raptoriais (apêndices dáctilos) possuem a forma de uma bola e localizam-se à frente de seu corpo, sendo usado para golpear a presa. Uma vez que a presa é capturada, a mesma é atingida várias vezes até a lagosta-pugilista ser capaz de acessar o tecido mole para se alimentar.


Fotografia de uma lagosta pugilista, enterrada na areia. Na foto é possível ver o substrato marinho e a lagosta pugilista tem o dorso e os apêndices (patas) marrom claro com algumas manchas brancas. É possível ver os apêndices (patas) dáctilos com sua base em forma de bola.

Lagosta-pugilista, em evidência seus apêndices dáctilos (formato de bola) que são utilizados para socar as presas. Fonte: Prilfish/Flickr (CC BY 2.0).



Pesquisadores estudaram os apêndices dáctilos da lagosta-pugilista, e descobriram que seus apêndices possuem um núcleo absorvente de choque, que os impedem de quebrarem. Esses apêndices possuem uma série de fibras compostas por quitinas altamente mineralizadas que os envolvem, assim impedindo a fratura.


Além disso, outra pesquisa conseguiu visualizar o impacto e o fenômeno da cavitação de um golpe da lagosta-pugilista. A cavitação, um fluxo de bolhas, ocorre em fluidos, onde áreas de baixa pressão formam bolhas de vapor que entram em colapso e geram energia. No caso da lagosta-pugilista, a movimentação rápida dos apêndices forma um fluxo de bolhas (cavitação) que colapsam, causando um segundo impacto em suas presas. Diante disso, suas presas sofrem com dois ataques: o golpe inicial, e em seguida, com o colapso das bolhas formadas na cavitação.


A verdade é que o ambiente marinho possui várias espécies fascinantes que precisam ser mais estudadas, não apenas para sua conservação, mas também para que possamos adaptar nossas tecnologias com base nos comportamentos e estruturas desses animais.




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Bibliografia


GRUNENFELDER, L. K. et al. Ecologically Driven Ultrastructural and Hydrodynamic Designs in Stomatopod Cuticles. Advanced Materials, v. 30, n. 9, 2018. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1002/adma.201705295. Acesso em 01 abr. 2021.


PATEK, S. N. et al. Deadly strike mechanism of a mantis shrimp. Nature, v. 428, 2004. Disponível em: http://ib.berkeley.edu/labs/patek/shrimpMechanics/Pateketal2004Nature.pdf. Acesso em 01 abr. 2021.


PATEK, S. N. et al. Extreme impact and cavitation forces of a biological hammer: strike forces of the peacock mantis shrimp Odontodactylus scyllarus. The Journal of Experimental Biology. 2005. Disponível em: https://jeb.biologists.org/content/jexbio/208/19/3655.full.pdf. Acesso em 01 abr. 2021.


FACT ANIMAL. Mantis Shrimp Facts. Fact animal. Disponível em: https://factanimal.com/mantis-shrimp/. Acesso em: 03 abr. 2021.


LUIS, T. Lagosta-boxeadora - vida em destaque. FCiências, 2016. Disponível em: https://www.fciencias.com/2016/02/12/lagosta-boxeadora-vida-em-destaque/. Acesso em: 03 abr. 2021.




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