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Como suas compras do exterior afetam o ecossistema marinho

Autores: Lívia Serezani Munhoz, Raphaela Alt Müller, Thais R. Semprebom e Douglas F. Peiró


Fotografia tirada a noite de grande navio de carga centralizado, carregado com muitos containers coloridos e luzes. Ao lado, barco de fiscalização onde se pode comparar a diferença contrastante no tamanho de ambos.

Navio de carga Houston Express, desembarcando no terminal Burchardkai no porto de Hamburgo, Alemanha. Fonte: Julius Silver/Pexels.



O mundo contemporâneo está cada vez mais importando e exportando produtos, o comércio entre países nunca foi tão fácil, e a distância não é mais um problema. No litoral brasileiro, cidades portuárias são muito movimentadas, navios chegam, descarregam, voltam para seus países e vice-versa.

Com apenas alguns cliques no seu celular, você pode encomendar vários produtos de qualquer lugar do mundo, simples, fácil e o que mais agrada os consumidores: é barato! Esse tipo de importação é tão comum e rotineira que dificilmente alguém se pergunta as consequências para essa prática. Dentre várias, neste artigo iremos discutir uma das consequências para o ecossistema marinho: a bioinvasão.



O LASTRO DOS NAVIOS


O transporte de containers por navios de carga possui um tipo de mecanismo chamado de lastro, que é um compartimento inferior dos navios de carga que serve de contrapeso.


Os navios saem do país de origem carregados com containers que pesam toneladas, navegam por todo o oceano e, ao chegarem no país de destino, esses navios são descarregados, ficando leves demais para voltarem. Então, o compartimento de lastro se abre, permitindo que a água entre e encha o compartimento, assim o navio ficará com o contrapeso necessário para ter estabilidade e então retornar sem perigo de virar em alto mar.


Uma representação em forma de desenho do funcionamento do lastro. No primeiro desenho, um navio carregado com containers com o compartimento inferior em branco (vazio) seguido pelo texto "navio carregado: lastro vazio". No segundo desenho o mesmo navio, agora com menos containers e o compartimento inferior pintado de azul (água) pela metade, seguido do texto "navio descarregando: lastro enchendo". No terceiro desenho o navio agora está sem containers com o compartimento inferior todo pintado de azul com algumas bolinhas vermelhas, seguido do texto "navio vazio: lastro cheio", por fim um texto descrevendo que as bolinhas vermelhas representam os organismos que entram junto com a água.

Imagem explicativa de como funciona o Lastro. Fonte: © 2023 Lívia Serezani Munhoz.



O navio, então, navegou por todo o oceano retornando ao país de origem, agora carregado com água do mar. Na água, estão pequenos peixes, plâncton, diversos tipos de algas e muitos outros organismos.


Antes de começar a carregar novamente para a próxima viagem, os navios eliminam essa água de lastro no litoral e, com ela, todo o tipo de organismos marinhos do país anterior.



PROBLEMAS DO DESÁGUE DA ÁGUA DE LASTRO


O grande problema desse tipo de mecanismo é a bioinvasão facilitada por ele. Por exemplo: digamos que você faça uma compra de roupas novas importadas da China, de onde elas virão dentro de um dos vários contêineres em um navio de carga. Chegando no litoral brasileiro, o navio Chinês descarrega os containers, ficando vazio e leve, impossível de retornar, a não ser pelo enchimento do lastro. Então, as comportas do lastro serão abertas, e ele será preenchido com água do mar brasileiro antes de seguir viagem, retornando para seu país. Chegando na China, o navio esvaziará o lastro para poder recarregar o navio e a água do mar brasileiro deságua no mar chinês.


Essa água, repleta de organismos que fazem parte da biota brasileira, agora está do outro lado do mundo, onde nunca deveria estar, chegando em um ecossistema que provavelmente não está preparado para isso. A bioinvasão interrompe relações ecológicas, desestabilizando teias alimentares que demoraram milhares de anos para se desenvolver.


Esse tipo de desestabilização pode ser causada por espécies que são introduzidas em um local onde não há predadores, como algumas algas que começam a crescer e se desenvolver tomando o hábitat de outras espécies nativas, e dificultando o crescimento destas. A competição entre espécies por lugar e alimento no hábitat aumenta e o lugar pode se tornar supersaturado.



A IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DESCONTROLADA


Como dito anteriormente, está cada vez mais fácil e comum a importação e exportação, não só para países orientais, mas para o mundo todo. Todos os dias, semanas, meses e anos, milhares e milhares de contêineres entram e saem de navios de carga destinados a qualquer lugar do mundo. O exemplo dado anteriormente serve para todo o planeta: o deságue no Brasil, países da Europa, países da África e assim por diante, acarreta zonas de bioinvasão por todos os lados, desregulando assim todo o ecossistema marinho.


Infelizmente, a questão econômica, mais uma vez, se sobrepõe às necessidades ambientais. Hoje, é acordado que cada estado e país fiscalizem e tomem medidas judiciais a fim de controlar a poluição causada pelo transporte marítimo. Acontece que, para muitos países, o bem estar do ecossistema marinho não é relevante quando comparado ao lucro das exportações.


Assim, cabe à população se informar e conscientizar outras pessoas a respeito de tais problemas na importação de produtos.


Fotografia tirada de dia, navio de carga descarregando em porto, navio com poucos containers coloridos e, ao fundo, muitos containers depositados em terra firme.

Navio descarregando no terminal de New Priok Container, no porto de Jakarta- Indonésia. Fonte: Tom Fisk/Pexels.



COMO VOCÊ PODE AJUDAR

Parece pouco, mas diminuindo seu próprio consumo dentro desse comércio de importação, já é um grande diferencial. Você pode combater a bioinvasão em ecossistemas marinhos, por exemplo, deixando de importar roupas novas da China e frequentando bazar e brechós (incentivando a economia circular), comprando de confecções locais, onde você poderá encontrar diversas roupas com preços baixos também, sem se preocupar com o transporte e a consequência que sua compra vai gerar. Além disso, ficar atento às legislações e à preocupação que o governo dá a esse tipo de problema é nosso dever, como cidadãos. Aos poucos, iremos combater a bioinvasão e preservar o ecossistema marinho.




Bibliografia


SOUSA, M. T. A. A bioinvasão de ambientes aquáticos provocada pela água de lastro das embarcações e suas consequências jurídicas. 2014.


ZANELLA, T. V. Água de lastro e bioinvasão no Brasil: Uma análise do posicionamento do Brasil frente ao risco de bioinvasão de espécies exóticas via água de lastro dos navios. RJLB, Ano, v. 1, 2015.









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Responsável: prof. Dr. Douglas F. Peiró

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